Vitalino da Arte, Vitalino Duarte
Luciano Baía Meneghite
O quê faz de uma pessoa um grande artista? É
a capacidade de interpretar perfeitamente como ator? É a beleza de uma
voz potente e afinada ou a inspiração para compor grandes canções? A
habilidade para se tocar um instrumento ou desenhar, pintar e esculpir?
Tudo isso caracteriza um grande artista; mas pode uma pessoa sem qualquer
dessas qualidades ser um grande artista? Não digo dessas celebridades
descartáveis fabricadas pela mídia, mas artista mesmo. Vitalino Duarte era.
Talvez alguém ache mais apropriado chamá-lo de animador cultural, mas
certamente ele preferiria ser chamado de artista. O menino nascido na Fazenda
Copacabana em 15 de agosto de 1932, filho de Vitalino Izá Duarte e Maria Amélia
Duarte, que só estudou até a segunda série primária, se não tinha certos dotes
artísticos, tinha espírito livre de artista. O serviço na roça não o prendeu
como nada o prendia, a não ser o gosto pela arte popular e pelas
tradições. Vindo para a cidade fez bicos diversos para sobreviver,
sem nunca se afastar das festas folclóricas e religiosas. E assim nasceu o
palhaço ou Papai Noel sempre com um megafone em punho a anunciar pelas ruas da
cidade suas festas ou promoções do comércio. No carnaval se tornou mestre
marcando presença por cinco décadas seja com sua boneca baiana ou com a
simples, mas marcante “Escola de samba Acadêmicos de Leopoldina”. No rádio era
presença constante, seja cantando, apresentando ou apenas como convidado. Se
não falava, lia ou interpretava bem, tinha carisma e teimosia suficientes e
isso o fez peça fundamental na preservação e propagação das tradições culturais
de Leopoldina e região. Com defeitos e qualidades de qualquer ser humano
e muitas limitações, principalmente financeiras, influenciou gerações. Se nunca
se casou, nem teve filhos biológicos, deixou muitos filhos de sua arte.
Vitalino da Arte, Vitalino Duarte. Trocadilho óbvio, mas inevitável.
Para ver mais fotos: http://www.flickr.com/photos/fotosnacumbuca2/sets/72157631682800268/with/8050458336/
Curva pra lá, curva pra cá, sobe morro, desce montanha, encurva de novo... Lá vai nóis, em Curto Circuito, atrás de mais um Arraiá pelas Serras de Minas.
Canaã foi a primeira parada. Era festa de santo casamenteiro, o padroeiro do lugar, Santo Antônio. Vinho quente, canjica e canjiquinha, velório do boi e Farinhada, aquela do Sebastião.
Canaã foi a primeira parada. Era festa de santo casamenteiro, o padroeiro do lugar, Santo Antônio. Vinho quente, canjica e canjiquinha, velório do boi e Farinhada, aquela do Sebastião.
Depois foi Acaiaca, dia de São João, tão falada pelo meu amigo Mário, lá de Araponga. Quantas vezes indo para Mariana e Ouro Preto a gente avistava a plaquinha na estrada e ficava com vontade de entrar, ao menos mode tomá um café e avistar a estação de trem. Lá comi escondidinho, fígado com giló e tomei quentão. Dormimos na casa de dona Nilza (Pouso das Gerais), um baita casarão antigo. Lugarzinho bão sô! e dá-lhe Farinhada na oreia!
Foi assim, e ainda tá sendo porque a próxima parada será Viçosa. Aí já é na Universidade, na Semana do Fazendeiro, coisa chic demais.
Cêis querem ver um pedacim da festa? Então espia os vídeos aí embaixo. Tem quadrilha de Canaã, Araponga, São Miguel do Anta, Rio Doce, Dom Silvério, Viçosa e Acaiaca.
Quem arrumou essa bagunça? Foi o pessoal do Circuito Turístico Serra de Minas (um abraço Renato!). Eles que inventaram esse tal de II Arraiá em Curto Circuito. Dia 11 foi em Canaã, dia 24 em Acaiaca e dia 9 será em Viçosa. Um festival de quadrilha que tá uma coisa de doido. Ainda dá tempo de aprontar e pegar um mocadim da festa. Se ainda não foi, vai lá em Viçosa sô, ver as quadrilhas e dançar no show do Tião Farinhada.
Final de semana feliz em Recreio. Depois de mais de 70 anos que não se ouvia bater os tambores do Caxambu nessa cidade, de grande população de descendentes de escravos, voltou a entoar o canto da liberdade no 13 de maio de 2011.
Seo Manoel Moleque, que ouvia caxambu quando criança, ainda lembra de pontos antigos cantados pelos avós lá em Conceição da Boa Vista.
Na festa do dia 13 de maio de 2011 engrossaram o coro o Caxambu de Miracema com Dona Aparecida Ratinho e seo neto Rogério, que trabalhou com muita garra para fazer esse evento acontecer. O Boi Pintadinho do grupo Cara da Rua, também de Miracema, o Caxambu de Santo Antônio de Pádua com o mestre Nico, a Capoeira de Aperibé e os jovens pagodeiros de Miracema.
"Segundo o depoimento de sr. José Andrade, dona Taizinha (i.m.), dona Edir Rodrigo, dona Neuza Germello e dona Maria Alves 'Mariquinha', as danças de Caxambu eram comuns durante outras datas, até mesmo na zona rural e nos distritos, mas era no dia 13 de maio que acontecia a roda de Caxambu com maior número de pessoas." (fonte: Jornal Pólis)
Seo Milton, hoje com 75 anos, disse que sempre acompanhava sua avó nas rodas em Conceição da Boa Vista (distrito de Recreio). A última roda que presenciou foi quando tinha por volta de 6 ou 7 anos.
Foram muitos anos de ausência, mas agora o Caxambu de Recreio está de volta e com muita força. Graças à Cicinha, grande batalhadora, que há anos vem acreditando nesse resgate.
E viva a liberdade!
Começamos o ano de 2011 com as bençãos dos Santos Reis, com os louvores das bandeiras de Folia e com a calorosa compania de tantos amigos e amigas.
Foi mais um ano do Festival de Folias de Reis das Palmeiras. Esse ano foi o XXVIII. Muito prestigiado tanto por foliões como pela assistência fiel que todos os anos comparece no CAC da pequena comunidade leopoldinense. Esse festival foi marcado pela ilustre visita de Afonso e Lúcia, da Casa de Santos Reis de Rio das Flores. Afonso, membro da Federação Fluminense de Reisados, agraciou a comunidade de foliões de Leopoldina com a homenagem, mais do que justa, à quase bicentenária Folia de Reis da Serra através da condecoração ao seo Nacionil, seu patriarca. Seo Nacionil, com seus 90 anos de idade e 75 anos de Folia de Reis, foi homenageado com a condecoração de "Faixa de mestre" e a "Estrela Guia". Estas condecorações foram instituidas em 1997 pela Casa Santos Reis (Rio das Flores) com o apoio da Federação de Reisado do Estado do Rio de Janeiro. São concedidas aos mestres dos grupos de todo país com mais de 30 anos de participação nos grupos. Trata-se de uma forma de expressar reconhecimento pela dedicação e abnegação praticadas pelos MESTRES no cumprimento da missão assumida.
No dia seguinte, 20 de janeiro, fomos convidados pela Folia de Reis Estrela do Oriente para delicioso almoço na casa de dona Fátima e para o ritual de Entrega da Bandeira na casa de Maú, dona da Folia.
Foram momentos emocionantes que comoveu a todos e nos fez confirmar a força de nossa cultura popular e a seriedade com que o povo de Leopoldina, amante dessa cultura, participa da devoção aos Reis Magos.
Mais uma vez a cultura popular invadiu as ruas de Leopoldina. Parou o trânsito, rodou na feira e gritou na praça. Congado, Mineiro-Pau, Capoeira. Jongo e outros grupos da região, reuniram-se e, com um grnade cortejo, desfilaram todas as suas cores pelas ruas da cidade. Misturaram formas, bandeiras e crenças. Uniram forças e trocaram experiências.
O V Encontro de Tradições Mineiras aconteceu no dia 16 de outubro de 2010 em Leopoldina - MG. Grupos folclóricos encontraram-se e fizeram a festa. Formaram uma família no cortejo e nas apresentações de seus trabalhos na Praça Felix Martins. Por falar em família, a família do grupo Carroça de Mamulengos deu um laço nesse encontro com o espetáculo Histórias de Teatro e Circo e à noite as apresentações foram encerradas com o Encontro de Folia de Reis seguido do show da dupla Cláudio e Dimas.
O Congado é uma família. Família de sangue passado de pai pra filho. Família de amizade passada de vizinho pra vizinho. Família de amor, passada de congadeiro pra congadeiro. Assim foi, é, e será o Congado de Paula Cândido.
O congadeiro conterraneo Antônio Coelho é assim lembrado, com muita nostalgia, por todos que o conheceram."Virgem do rosário, vossa casa cheira. Cheira cravo de rosa, flor de laranjeira." é o que canta emocionado Eduardo à memória de seu avô. Seu congado não acabou com a morte da carne, está vivo pela força de seu neto. E não se fortalece sozinho. É família ajudando família. Amigo ajudando amigo. Antônio e Maria do Dodô tinham essa amizade movida pela fé. Congado de Paula Cândido e Congado de Visconde do Rio Branco. Duas cidades. Dois grupos distintos. Uma amizade. Uma família.
Uma homenagem aos congadeiros e congadeiras. À nossa família, à sua famíla, aos netos, tios, avôs e avós. Aos amigos, aos vizinhos. Aos companheiros de hoje e sempre:
Uma homenagem aos congadeiros e congadeiras. À nossa família, à sua famíla, aos netos, tios, avôs e avós. Aos amigos, aos vizinhos. Aos companheiros de hoje e sempre:
Fila rosa representa as vestes da santa, fila azul o seu manto. É assim no Congado do Fundão, onde Sr. José, capitão do Congado, nos conta suas devoções por Nossa Senhora do Rosário. Encontrada em uma gruta, um grupo de padres buscaram a santa para levá-la para a igreja, mas ela volta para a gruta outra vez. Com isso, uma família de escravos liderados por Chico Rei decidem ir até lá vestidos de folha de indaiá com capacetes com penacho, tocando lata e viola de taquara. Vieram trazendo a santa, cantando e tocando com “aquela alegria de família” até a igreja, de onde ela não saiu mais. Essa é a história que aprenderam por lá e vão seguindo seu com seu Congado na festa do Rosário:
Do Tupi caa-boc, "o que vem da floresta", ou kari'boca, "filho do homem branco".
Caboclo é mistura. Mistura de índio com branco (com negro, com cafuso, com tudo. Enfim, é mestiço). É esse mestiço que até hoje em Araponga, na Zona da Mata mineira resiste ao tempo e trava a luta da resistência. Se enfeita com penas, saiote, cocar e pulseira. Se veste de índio. Se o índio misturou e virou caboclo, hoje o caboclo corre atrás das origens e vira índio.
Os araponguenses são puris. Cantam, pulam, dançam, com arco e flecha, com porrete, com a dança da fita. São filhos do mato, são frutos da terra, são cultura viva no alto da serra.
Traz no peito a identidade indígena.
Carrega no corpo, na alma, e no rosto de cada brasileiro, o verdadeiro caboclo.
Vem do mato, é dança de caboclo
São Sebastião amarrado, guerreiro desarmado
E de que lado vem a proteção?
Vem do rei? Vem do índio?
Vem de quem?
É o embate das cores
Entre o azul e o vermelho
E tudo que existe ali no meio
Entre os que crêem e os pagãos
Entre o céu e o inferno
E tá formada a tradição.
É dança da fita
É encenação
Vem do santo
Vem da luta
Vem do rei
Vem do mato, é dança de caboclo!
São Sebastião amarrado, guerreiro desarmado
E de que lado vem a proteção?
Vem do rei? Vem do índio?
Vem de quem?
É o embate das cores
Entre o azul e o vermelho
E tudo que existe ali no meio
Entre os que crêem e os pagãos
Entre o céu e o inferno
E tá formada a tradição.
É dança da fita
É encenação
Vem do santo
Vem da luta
Vem do rei
Vem do mato, é dança de caboclo!
Para Saber Mais:
Filme Cores da Mata
PROGRAMAÇÃO:
DIA 15 - Sexta-feira no Cefet
Mesa redonda com:
Elaine Monteiro e Rogério do Caxambu - Pontão do Jongo/Caxambu. Falando sobre a formação de uma rede de comunidades colaboradoras que existem entre grupos de jongo e caxambu de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
Joana Correa e Alexandre Pimentel - Associação Cultural Caburé, falando sobre a criação do Museu Vivo do Fandango que é uma rede preservadora da memória viva e geradora de renda para as comunidades no Paraná e São Paulo
Rodas de conversa:
Presença de várias comunidades populares da Zona da Mata em várias rodas de prosa conversando sobre nossos sonhos, nossos trabalhos e nossas festas.
Oficina Cameloturgia:
A família Carroça nos brinda com uma noite de arte e vivência conversando e experimentando de sua arte em família, vindos lá de Juazeiro do Norte/CE.
DIA 15 - Sexta-feira no Cefet
Mesa redonda com:
Elaine Monteiro e Rogério do Caxambu - Pontão do Jongo/Caxambu. Falando sobre a formação de uma rede de comunidades colaboradoras que existem entre grupos de jongo e caxambu de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
Joana Correa e Alexandre Pimentel - Associação Cultural Caburé, falando sobre a criação do Museu Vivo do Fandango que é uma rede preservadora da memória viva e geradora de renda para as comunidades no Paraná e São Paulo
Rodas de conversa:
Presença de várias comunidades populares da Zona da Mata em várias rodas de prosa conversando sobre nossos sonhos, nossos trabalhos e nossas festas.
Oficina Cameloturgia:
A família Carroça nos brinda com uma noite de arte e vivência conversando e experimentando de sua arte em família, vindos lá de Juazeiro do Norte/CE.
DIA 16 - Sábado na Pça Félix Martins:
Cortejo das Tradições - a partir das 10:00 hs
Concentração na Casa de Leitura Lya Müller Botelho e caminhada festiva pelas ruas do centro. Segue apresentação dos grupos na praça.
“Histórias de Teatro e Circo”
Espetáculo da Cia. Carroça de Mamulengos - 16:00 hs.
Encontro de Folias de Reis - 17:00 hs.
O projeto Registro do Folclore da Zona da Mata, a Energisa, a Fundação Ormeu Junqueira Botelho, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Estado de Minas Gerais apresentam o V Encontro de Tradições Mineiras e o III Fórum das Culturas Populares da Zona da Mata.
Rumo ao objetivo de preservar a memória dos grupos populares e de incentivá-los na continuidade dinâmica de suas tradições, o presente projeto lança a proposta da formação de uma rede de colaboração entre os vários setores de nossa sociedade.
A partir das conversas do Seminário preparatório para o Fórum, em julho deste ano, propusemos trabalhar nossas iniciativas com base em três pilares: criação de um Memorial da Cultura Popular; a formação de uma rede de grupos informais e instituições; e ações de sustentabilidade e geração de renda.
Como próximo passo para a construção dessa história convidamos para partilhar experiências o Pontão de Cultura Jongo/Caxambu e o projeto Museu Aberto do Fandango.
Abrilhantando nossas conversas convidamos também para partilhar sua vivência familiar e artística a Cia. Carroça de Mamulengos. Pois, afinal, folclore é uma questão de arte, família e devoção.
Como não podia deixar de ser, mais um ano estamos todos juntos também no Cortejo das Tradições, ganhando as ruas de Leopoldina e levando a todos a alegria e o orgulho da Cultura Popular Brasileira, diretamente da fonte. E ganhando o centro da praça com um lindo encontro de Folias de Reis.
Rumo ao objetivo de preservar a memória dos grupos populares e de incentivá-los na continuidade dinâmica de suas tradições, o presente projeto lança a proposta da formação de uma rede de colaboração entre os vários setores de nossa sociedade.
A partir das conversas do Seminário preparatório para o Fórum, em julho deste ano, propusemos trabalhar nossas iniciativas com base em três pilares: criação de um Memorial da Cultura Popular; a formação de uma rede de grupos informais e instituições; e ações de sustentabilidade e geração de renda.
Como próximo passo para a construção dessa história convidamos para partilhar experiências o Pontão de Cultura Jongo/Caxambu e o projeto Museu Aberto do Fandango.
Abrilhantando nossas conversas convidamos também para partilhar sua vivência familiar e artística a Cia. Carroça de Mamulengos. Pois, afinal, folclore é uma questão de arte, família e devoção.
Como não podia deixar de ser, mais um ano estamos todos juntos também no Cortejo das Tradições, ganhando as ruas de Leopoldina e levando a todos a alegria e o orgulho da Cultura Popular Brasileira, diretamente da fonte. E ganhando o centro da praça com um lindo encontro de Folias de Reis.
Que cão é esse que aparece e desaparece perto de um cemitério abandonado? Assombração? Visão? Medo? Lenda? Mito ou não poucos se atrevem passar à noite pelas bandas da Fazenda Velha na época de quaresma.
"No machismo todo mundo passa aqui e não fica com medo não né. Agora, tem gente que tem medo, acredita nisso. Tem gente que não acredita, passa aqui sem medo sem nada e vai embora. E depois chega lá em Providência, em São Martinho e conta esses casos."
Isso foi o que Ronald, do distrito de Providência contou para os alunos da Escola Estatual Marco Aurélio Monteiro de Barros que participaram da Oficina da Memória em 2006. Dessa oficina surgiu diversas histórias de assombração, que renderam postagens curiosas na Cumbuca
como a garota que tem uma amiga morta http://www.cumbuca.org.br/2010/03/historias-de-assombracao-entrevista.html
ou a misteriosa lavadeira do pontilhão http://www.cumbuca.org.br/2010/03/historias-de-assombracao-lavadeira-do.html
Confiram:
Odudua durante a criação do mundo, liberou o elemento terra. Esse depois de se espalhar por quase toda parte do mundo, encontrou-se com as poças de água parada que se perdera dos rios. Desse encontro criou-se a lama, o barro. E do barro a vida e a memória ancestral do nosso povo.É de lá que João Donato faz nascer suas inspirações. Bonecas, rostos, moringas, vasilhas, panelas e jarras é o barro recriado nas mãos do artista que desde de seus 13 anos se dedica ao ofício de ceramista.
Com este elemento, e com a ajuda de sua esposa, trabalha bastante com encomendas em sua pequena loja em Recreio (Zona da Mata mineira), apesar de não fugir das tradições e costumes de sua cidade, que são as fábricas de cerâmicas, ele é o único que as produz artesanalmente, fora dessa linha de produção, com grande criatividade e por conta própria.
* Os alunos da Escola Sebastião Medeiros participaram da Oficina da Memória, entrevistando e gravando Seo Joaquim.
Do barro tira beleza e singularidade.
para saber mais: Prefeitura de Recreio
Agosto é mês do Folclore, e o projeto Registro do Folclore da Zona da Mata abre o mês com uma postagem fruto de parceria com a escola do distrito de Ribeiro Junqueira (Campo Limpo) falando um pouco da história e do povo da cidade.
Neste mês estas parcerias com escolas reinarão sobre o portal trazendo um pouco do que estamos fazendo na região com o tema FOLCLORE.
O que ocorreria se dois poetas muito polêmicos, de épocas distintas e gostos um tanto diferentes se encontrassem? É esse o tema do filme dessa semana, o encontro entre o músico Serginho do Rock e o pré-modernista Augusto dos Anjos.
Serginho nasceu, foi criado e começou sua carreira musical em Leopoldina-MG. Cantor e compositor, exaltava a beleza da cidade e seus arredores nas suas músicas. Fundou, junto dos amigos, o grupo Girassol Maravilhoso. Denominava-se como beatnik, botava os pés na estrada de chão e saía pela região em busca de inspiração. Revolucionou a pacata Leopoldina com suas idéias à frente de seu tempo e o ar despreocupado. Apesar da timidez e um pouco de melancolia, espalhava alegria por todo canto onde ecoava suas canções.
Serginho do Rock
Foi também em Leopoldina onde veio a findar-se a carreira do poeta Augusto dos Anjos. O paraibano, depois de morar no Rio de Janeiro, veio procurar o descanso na cidadezinha. Nas cartas enviadas à família, enquanto estava na sua última morada, pode-se notar a tristeza da solidão, mas também um sentimento de paz e conforto. Suas produções, marcadas pelo pessimismo, pela visão científica do corpo da morte, foi dando lugar, nessa última fase, à melancolia e a saudade. Talvez tenha sido em Leopoldina que Augusto dos Anjos tenha encontrado sossego para seu espírito tão atormentado.
O poeta Augusto dos Anjos
Baseado nisso, propusemos um encontro entre Augusto e Serginho. O poeta, triste, saudoso, é convidado pelo beatnik para um animado blue na estação de Vista Alegre. E vem chegando Augusto dos Anjos, com sua inseparável bengala/guarda-chuva enquanto Serginho do Rock o espera com uma cervejinha e a bandeira do Girassol Maravilhoso.
Para saber mais:
Serginho do Rock
O III Fórum de Culturas Populares da Zona da Mata foi realizado em Leopoldina no dia 17 de julho de 2010 e contou com a participação de alguns dos principais representantes culturais da região. O tema trabalhado nesse encontro foi: "Registro, memória e patrimônio imaterial - O que fazemos com isso?".
"É em roda que a nossa cultura acontece. Nas várias rodas. Não tem um início nem um fim, é, como diz Seu Geraldo, numa 'marafunda sem fim'". (Oswaldo Giovannini Júnior)
E é nessa marafunda que os grupos de culturas populares se reuniram no fórum, para debater sobre seus problemas, dividir soluções e compartilhar experiências.
Na roda de cultura foram apresentados os trabalhos de cada grupo, as propostas e as conclusões dos fóruns anteriores e as diretrizes traçadas nesse novo fórum.
Através das vivências e das diferenças dos participantes moldou-se o caráter da cultura popular, não só da Zona da Mata, mas do país inteiro.
"Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados"
(Oswald de Andrade)
Para saber mais:
I e II Fóruns de Culturas Populares da Zona da Mata
Notícia Overmundo
DEBATE E SUGESTÕES DE AÇÕES PARA AS CULTURAS POPULARES – I FÓRUM DE CULTURAS POPULARES DA ZONA DA MATA – LEOPOLDINA, 2006
Algumas conclusões:
A cultura é meio de transformação social, política e econômica. Agir pela cultura popular é agir politicamente para transformar as relações sociais concretas e humanizar a sociedade. A cultura popular deve ser eixo fundamental em qualquer discussão sobre políticas públicas.
Uma das estratégias de ação é saber ouvir as pessoas e os grupos. Outra é divulgar seus saberes e os sentidos que os grupos populares dão para suas manifestações. A educação é um meio eficaz para isso e a mídia também. Outra, ainda, é a ampliação das pesquisas e dos inventários.
Dar continuidade aos encontros e discussões para realizarmos projetos coletivos. O fórum é um espaço necessário, porém é importante descentralizar e realizá-los no interior ou na periferia.
Fundamental são os recursos financeiros para os grupos populares tradicionais e para a realização de momentos de discussão e encontros.
Principais propostas:
Realizar um inventário das religiões afro-brasileiras.
A comunidade precisa se conscientizar dos seus valores.
Os grupos precisam de políticas públicas continuadas.
Os grupos populares precisam de suporte financeiro para instrumentos, vestimentas.
É necessário haver mais divulgação da cultura popular.
Precisa haver uma aproximação da cultura popular com as escolas.
Capacitação de professores.
Cultura como inclusão e não como integração.
Necessidade de ações transformadoras, política e economicamente.
A cultura deve ser um instrumento de luta e de mudança.
Buscar recursos financeiros e parceria com o setor privado e público.
Os grupos tradicionais devem se unir à classe artística.
Políticas públicas de cada município para valorizar as especificidades de cada um.
Inventariar e resgatar memórias.
Os grupos devem definir seus objetivos para evitar manipulações e usos indevidos.
Precisamos mapear e ampliar a pesquisa na Zona da Mata.
Elaborar uma agenda de mobilização cultural da região.
II FÓRUM:
O II Fórum aconteceu em 2008, durante o III Encontro de Tradições Mineiras.
A Charola de Nosso Senhor dos Passos de Cajuri fez uma belíssima apresentação e logo em seguida fizemos o lançamento do documentário Cores da Mata.
Nessa ocasião ainda tivemos a oportunidade de fazer uma pequena oficina de percussão com o grupo Berimbrown.
"Estrela Guia" Phillipus A. Swanepoel
A condução que me trouxe aqui não importa
Vim ver a Folia
Folia dos Três Reis do Oriente
Três irmãos com a mesma devoção
E com uma tristeza no coração
Seguindo a linha do trem
Trem que corta Abaíba
Abaíba que hoje tem entrega da bandeira
Bandeira sagrada
Símbolo de Fé
Sinal de Devoção
Promessa
De se entregar...
Neste mesmo caminho
Cada um com seu rumo
Com a mesma proteção da Estrela Guiaoutros caminhos: Pintores com a Boca e os Pés






















